quinta-feira, 28 de abril de 2022

Rosas na Janela - Prólogo

  - É uma menina!

O clima no quarto principal da casa dos Véridi era de alívio e gratidão... Parecia que até os sinos da Capela próxima comemoraram, badalando e avisando a hora do Angelus. Depois de três dias de sofrimento e temor,  Ana trazia ao mundo sua primeira filha. 

    - Dona Júlia, que horas são? 

    - Poucos minutos se passaram das 18:00h... Mas não se preocupe com isso, descanse, foi um longo trabalho de parto, Dona Ana.

    A parteira da região era famosa por conseguir salvar vidas de mães e filhos, quando a única esperança era rezar. Mas não por menos, Dona Júlia no alto dos seus 62 anos, cultivava e defendia uma fé pura em Deus, na Santíssima Virgem e na intercessão dos Santos. Sua postura encurvada não se devia só à idade, mas também a longos períodos de oração e meditação; dona Júlia tinha certeza de que era só um instrumento nas mãos do Criador. E enquanto limpava a recém nascida e a preparava para entrega-la à mãe, rezava baixinho a Salve Rainha em agradecimento à Mãe de Deus por mais uma vida que vinha ao mundo.

    - Vai se chamar Maria – disse a mãe ao tomá-la em seus braços – eu não poderia escolher outro nome, vejam, nasceu num sábado, bem na hora do Angelus... minha Maria...

    - É um lindo nome, dona Ana, mas por favor, precisa repousar. Nem vou mandar chamar o Seu Umberto agora.

    Ana não pôde recusar, realmente estava fatigada... depois falaria com o marido, depois receberia visitas. Ana tinha fé, mas teve medo. Medo de sua filhinha morrer, medo de morrer e deixar seu marido e sua filha... Mas agora, as dores se foram, e ela estava plena de felicidade; exausta, mas radiante! E sentindo o calor da pequena Maria em seus braços, murmurando agradecimentos e preces, Ana adormeceu.


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