Deus Vos Salve, Maria,
cheia sois de dores;
Jesus Crucificado está contigo,
digna sois vós de ser chorada e compadecida entre todas as mulheres
e digno é de ser chorado e compadecido Jesus,
Filho Bendito do teu ventre.
Santa Maria, Mãe do Crucificado,
dai lágrimas a nós crucificadores do Teu Filho,
agora e na hora da nossa morte. Amém.
Salve Maria! Ontem, 15 de setembro, a Igreja celebrou o titulo de Nossa Senhora das Dores ou Soledade, fazendo memória às dores que a Santíssima Virgem passou nesta vida terrena, também exaltando sua grande e terna compaixão por nossas dores e misérias.
Meditar sobre as dores de Maria (que são sete, especificamente descritas nos Evangelhos) é meditar sobre obediência, perseverança e amor a um Deus que ultrapassa a compreensão humana. Veja, a Igreja reconhece que Maria foi concebida sem pecado, que não cometeu pecado, portanto, por via de lógica, não deveria sofrer as consequências do pecado - sofrimento, dores, morte, etc -, mas o que podemos constatar é que, de todas as criaturas, Maria foi quem mais sofreu e foi quem mais exultou no Senhor fazendo brotar do mar de fel que investia duras penas contra o seu imaculado coração o mais sublime e esplendoroso louvor. Louvor esse salgado de lágrimas.
Em nenhum momento podemos flagrar algum pequeno gesto ou olhar de lamúria e lamentação, ou mesmo menção de desistir dessa fidelidade a Seu Pai Celeste, a Seu Filho Eterno e ao Seu Esposo Místico. As palavras ditas pela menina em Nazaré, 33 anos antes, ecoavam em seu coração toda vez que uma espada o transpassava, como que um bálsamo revigorante e reconfortante.
Essa fidelidade apaixonada e essa intimidade com a Santíssima Trindade produziu na Virgem Maria uma força sobrenatural, não só para suportar de pé todos os golpes da vida, mas também para continuar exalando amor. Dentro de Maria havia um engenho, que moía toda a dor e transformava a amargura dos acontecimentos em uma bebida doce e aromática que afagava todos à sua volta.
Maria, mais que Educadora, foi testemunha. Mais do que mostrar o Caminho, a Verdade e a Vida, ela mesma trilhou esses passos, experimentou as intempéries do tempo, conheceu o Calvário, tocou a Morte. Desse modo ela nos ensina, através de suas próprias dores e alegrias, como trilhar o nosso caminho, como viver a nossa vida, como reagir diante da dor.
Tudo o que Maria é e fez, foi recebido de Deus, e nada ela retém para si. Vemos seus olhos inchados pelo pranto, mas não vemos desespero. Vemos seu coração dolorido, mas não vemos revolta. Vemos seu corpo desfalecido pelo cansaço, mas não vemos tropeços. Seus gestos, expressões, palavras, orações e olhares nos ensinam, não a negar o sofrimento, ou a tentar anestesiar os sentidos para que as ondas da vida terrena incerta não nos atormentem, mas nos mostram que a dor também é terreno de louvor, de ação de graças a Deus, e que, se vivida santamente, como Ela viveu, rendem frutos saborosos, abundantes e duradouros a Seu tempo, que alimentarão não somente a nós mesmos, mas servirão de alimento, descanso, salvação e amor aos que convivem conosco.
Nossa Senhora das Dores, rogai por nós.



